Updates, Live

Wednesday, January 29, 2020

Pessoa, Autopsicografia

Lisboa, Pessoa a Brasileira
(fonte: cultura genial)
no copyright infringement intended


Reality and its image. Be it a poem or a painting, a movie or a novel, the reality it claims to present is just an image. The creator cannot be but a "fingidor", a pretender. Even if it's the creator's own life, and even if the artist throws it into the œuvre like an empty coke box, it remains still a pretended reality. "Ceci n'est pas une pipe," says Magritte, "O poeta é um fingidor," says Pessoa. And then comes the lector, the attender, re-imagining the image, taking it toward her or his own reality.



Autopsicografia

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
(fonte: Arquivo Pessoa)




Autopsicografía 

El poeta es un fingidor.
Finge tan completamente
que hasta finge que es dolor
el dolor que de veras siente.

Y quienes leen lo que escribe,
sienten, en el dolor leído,
no los dos que el poeta vive
sino aquél que no han tenido.

Y así va por su camino,
distrayendo a la razón,
ese tren sin real destino
que se llama corazón.





Autopsychography

The poet is a man who feigns
And feigns so thoroughly, at last
He manages to feign as pain
The pain he really feels,

And those who read what once he wrote
Feel clearly, in the pain they read,
Neither of the pains he felt,
Only a pain they cannot sense.

And thus, around its jolting track
There runs, to keep our reason busy,
The circling clockwork train of ours
That men agree to call a heart.




(Fernando Pessoa)

Labels:

Sunday, January 19, 2020

Lisboa revisitada, 1923 (Pessoa - como Álvaro de Campos)

(fonte: bagunça interna)
no copyright infringement intended


You are back in the city of your memories. The place that was once so familiar appears now alien. It is another universe, another atmosphere, streets, people, everything. You feel it very hostile. And you claim the city of your memories. A tension is surging inside you, bigger and bigger, towards the point of explosion.



Lisboa revisitada

Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões! A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciêricias, Deus meu, das ciências!)—
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a
Sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seia de companhia!

Ó céu azul -o mesmo da minha infância
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Ô mágoa revisitada,
Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz!
Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!






Lisboa revisitada

No: no quiero nada.
Ya dije que no quiero nada.

¡No me vengan con conclusiones!
La única conclusión es morir.

¡No me vengan con estéticas!
¡No me hablen de moral!
¡Aparten de aquí la metafísica!
No me pregonen sistemas completos, no me alineen conquistas
De las ciencias (¡de las ciencias, Dios mío, de las ciencias!)—
¡De las ciencias, de las artes, de la civilización moderna!

¿Qué mal hice a todos los dioses?

¡Si poseen la verdad, guárdensela!

Soy un técnico, pero tengo técnica sólo dentro de la técnica.
Fuera de eso soy loco, con todo el derecho a serlo.
Con todo el derecho a serlo, ¿oyeron?

¡No me fastidien, por amor de Dios!

¿Me querían casado, fútil, cotidiano y tributable?
¿Me querían lo contrario de esto, lo contrario de cualquier cosa?
Si yo fuese otra persona, les daría a todos gusto.
¡Así, como soy, tengan paciencia!
¡Váyanse al diablo sin mí,
O déjenme que me vaya al diablo solo!

¿Para qué hemos de ir juntos?
¡No me toquen en el brazo!
No me gusta que me toquen en el brazo. Quiero estar solo,
¡Ya dije que soy un solitario!
¡Ah, que fastidio querer que sea de la compañía!

Oh cielo azul —el mismo de mi infancia—,
¡Eterna verdad vacía y perfecta!
¡Oh suave Tajo ancestral y mudo,
Pequeña verdad donde el cielo se refleja!
¡Oh amargura revisitada, Lisboa de antaño de hoy!
¡Nada me das, nada me quitas, nada eres que yo me sienta!

¡Déjenme en Paz! No tardo, yo nunca tardo…
¡Y mientras tarda el Abismo y el Silencio quiero estar solo!




Lizbon

Hayır: Hiçbir şey istemiyorum.
Hiçbir şey istemiyorum dedim.

Sonuçlarınızla gelmeyin bana!
Tek sonuç ölmektir.

Estetik getirmeyin bana!
Ahlaktan söz edilmesin!

Uzak tutun benden ne varsa metafizik adına!
Eksiksiz sistemlerin çığırtkanlığını yapmayın bana, Fetih defilesi
.....yapmayın önümde

Bilimler (bilimler, Tanrım! bilimler)-
Bilimler, sanatlar, modern uygarlık!

Ne kötülük yaptım ben Tanrılara?
Hakikat onlardaysa, kendilerine saklasınlar!

Teknisyenim ben, ama tekniğin içindedir benim tekniğim.
Deliyim ben bunun dışında, mutlak bir deli olma hakkıyla.
Mutlak bir deli olma hakkıyla, işitiyor musunuz beni?

Bunaltmayın beni, Tanrı aşkına!

Evli, işe yaramaz, sıradan ve nazik olmamı mı istiyorsunuz benim?
Bunun tersi olmamı mı istiyorsunuz, herhangi bir şeyin tersi?
Başka biri olsaydım eğer, kapris yapardım hepinize.
Ama böyle, kendim gibi, sabırlı olun!
Bensiz gidin cehenneme,
Ya da bırakın beni tek başıma gideyim cehenneme!
Niçin beraber gidecekmişiz?

Koluma girmeyin!
Koluma girilmesini sevmem. Yalnız olmak isterim.
Söyledim size yalnızım ben!
Ah, ne sıkıcı size eşlik etmemi istemeniz!

Ey mavi gökyüzü -çocukluğumdaki gibi-
Boş ve kusursuz ezeli hakikat!
Ey ata yadigarı, sessiz, uysal Tejo,
Gökyüzünün yansıdığı küçük hakikat!
Ey yeniden kavuştuğum acı, dünün ve bugünün Lizbon'u!
Bana bir şey vermiyorsun, benden bir şey almıyorsun, hissettiğim
hiçliksin sen.

Rahat bırakın beni! Gecikmem, ben ki asla gecikmem...
Ve geciktikçe Dipsiz Derinlik ve Sessizlik yalnız kalmak isterim ben!
(kaynak: youTube)






Lisbon revisited

No, I don’t want anything.
I already said I don’t want anything.

Don’t come to me with conclusions!
Death is the only conclusion.

Don’t offer me aesthetics!
Don’t talk to me of morals!
Take metaphysics away from here!
Don’t try to sell me complete systems, don’t bore me
with the breakthroughs Of science (of science, my God, of science!)
— Of science, of the arts, of modern civilization!

What harm did I ever do to the gods?

If you’ve got the truth, you can keep it!

I’m a technician, but my technique is limited to the technical sphere,
Apart from which I’m crazy, and with every right to be so.
With every right to be so, do you hear?

Leave me alone, for God’s sake!

You want me to be married, futile, predictable and taxable?
You want me to be the opposite of this, the opposite of anything?

If I were someone else, I’d go along with you all.
But since I’m what I am, lay off!
Go to hell without me, Or let me go there by myself!
Why do we have to go together?

Don’t grab me by the arm!
I don’t like my arm being grabbed. I want to be alone,
I already told you that I can only be alone!
I’m sick of you wanting me to be sociable!

O blue sky—the same one I knew as a child—
Perfect and empty eternal truth!
O gentle, silent, ancestral Tagus,
Tiny truth in which the sky is mirrored!
O sorrow revisited, Lisbon of bygone days today!
You give me nothing, you take nothing from me, you’re nothing I feel is me.

Leave me in peace! I won’t stay long, for I never stay long…
And as long as Silence and the Abyss hold off, I want to be alone!
(source: bagunça interna)





(Fernando Pessoa)

Labels:

Saturday, January 11, 2020

Poema em linha reta (Pessoa - como Álvaro de Campos)

(fonte: Slide Player)
no copyright infringement intended


A poem living in a universe of absolute denial and utter violence, of hellish certitude; it is the universe encountered in Blake's The Marriage of Heaven and Hell, or in Tzara's Dada manifeste sur l'amour faible et l'amour amer (David Yetzer)


Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. 
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. 

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, 
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, 
Indesculpavelmente sujo, 
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, 
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, 
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, 
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, 
Que tenho sofrido enxovalhos e calado, 
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda; 
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel, 
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes, 
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar, 
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado 
Para fora da possibilidade do soco; 
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, 
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. 

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo 
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, 
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida… 

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana 
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; 
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia! 
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam. 
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? 
Ó príncipes, meus irmãos, 
Arre, estou farto de semideuses! 
Onde é que há gente no mundo? 

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? 

Poderão as mulheres não os terem amado, 
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca! 
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído, 
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear? 
Eu, que venho sido vil, literalmente vil, Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
(fonte: bicando)







Poema en línea recta

Nunca he conocido a nadie a quien le hubiesen molido a
palos.
Todos mis conocidos han sido campeones en todo.

Y yo, tantas veces despreciable, tantas veces inmundo,
tantas veces vil,
yo, tantas veces irrefutablemente parásito,
imperdonablemente sucio,
yo, que tantas veces no he tenido paciencia para bañarme,
yo, que tantas veces he sido ridículo, absurdo,
que he tropezado públicamente en las alfombras de las
ceremonias,
que he sido grotesco, mezquino, sumiso y arrogante,
que he sufrido ofensas y me he callado,
que cuando no me he callado, he sido más ridículo todavía;
yo, que les he parecido cómico a las camareras de hotel,
yo, que he advertido guiños entre los mozos de carga,
yo, que he hecho canalladas financieras y he pedido prestado
sin pagar,
yo, que, a la hora de las bofetadas, me agaché
fuera del alcance las bofetadas;
yo, que he sufrido la angustia de las pequeñas cosas
ridículas,
me doy cuenta de que no tengo par en esto en todo el
mundo.

Toda la gente que conozco y que habla conmigo
nunca hizo nada ridículo, nunca sufrió una afrenta,
nunca fue sino príncipe - todos ellos príncipes - en la vida...

¡Ojalá pudiese oír la voz humana de alguien
que confesara no un pecado, sino una infamia;
que contara, no una violencia, sino una cobardía!
No, son todos el Ideal, si los oigo y me hablan.
¿Quién hay en este ancho mundo que me confiese que ha
sido vil alguna vez?
¡Oh príncipes, hermanos míos,
¡Leches, estoy harto de semidioses!
¿Dónde hay gente en el mundo?

¿Seré yo el único ser vil y equivocado de la tierra?

Podrán no haberles amado las mujeres,
pueden haber sido traicionados; pero ridículos, ¡nunca!
Y yo, que he sido ridículo sin que me hayan traicionado,
¿cómo voy a hablar con esos superiores míos sin titubear?
Yo, que he sido vil, literalmente vil,
vil en el sentido mezquino e infame de la vileza.






Poem in a Straight Line

I never knew a soul who ever took a licking. 
My friends have all been champions at everything. 

And I, so often vulgar, so often obscene, so often vile, 
I, so deliberately parasitical, 
Unforgivably filthy, 
I, so often without patience to take a bath, 

I, who’ve been so ridiculous, so absurd, 
Tripping up in public on the carpet of etiquette, 
I, so grotesque and mean, submissive and insolent, 
Who’ve been insulted and not said a word, 
And when putting a word in growing still more ridiculous, 
I who strike chambermaids as laughable, 
I who feel porters wink sarcastically, 
I who’ve been scandalous about money, borrowing and not paying it back, 
I, who when the time came to fight, ducked 
As far as I could out of punching range, 
I who go into a sweat over the slightest thing — I’m convinced no one’s better than I at this sort of game. 

No one I know, none of my speaking acquaintances, 
Ever acted ridiculous, ever took insults, 
Was ever anything but noble – yes, all of them princes, living their lives… 
How I’d love to hear a human voice, from any one of them. 

Confessing not to sins but to infamies, 
Speaking not of violent but of cowardly acts! 
But no, each one’s a Paragon, to hear them tell it. 
Is there no one in this world who’d confess to me he’s been vile just once? 
All you princes, my brothers, 
Enough – I’m fed up with demigods! 
Where are the real people in this world? 

Am I the only scoundrel and bungler alive? 

Maybe women don’t always fall for them. 
Maybe they’ve been betrayed. 
But ridiculous? Never! 
And I, who’ve been ridiculous but never betrayed, 
How do I speak to their Highnesses without stammering? 
I, who’ve been vile, literally vile, 
Vile in the meanest and rottenest possible sense of the word.
(fonte: bicando)







Poème en ligne droite

Je n’ai jamais connu quiconque qui ait pris des coups.
Tous, parmi mes connaissances, ont été des champions en tout.

Et moi, tant de fois méprisable, tant de fois porc, tant de fois vil,
Moi, tant de fois irréfutablement parasite,
Inexcusablement sale.
Moi qui, tant de fois, n’ai pas eu la patience de prendre un bain,
Moi qui fus tant de fois ridicule, absurde,
Qui me suis pris publiquement les pieds dans les tapis des étiquettes,
Qui ai été grotesque, mesquin, soumis et arrogant,
Qui ai souffert l’humiliation et me suis tu,
Et qui, lorsque je ne me suis pas tu, me suis senti plus ridicule encore;
Moi dont se sont ris des domestiques d’hôtel,
Moi qui ai senti les clins d’œil des employés du fret,
Moi qui me suis livré à des hontes financières, contracté des emprunts sans payer,
Et qui, à l’heure de prendre des coups, me suis accroupi
Pour échapper à la possibilité d’un coup ;
Moi qui ai souffert l’angoisse des petites choses ridicules,
Je constate que je n’ai pas de pair en tout ceci dans ce monde.

Tous ceux que je connais et qui parlent avec moi
N’ont jamais eu un geste ridicule, n’ont jamais souffert l’humiliation,
N’ont jamais été rien d’autre que princes – tous, ils sont princes – dans la vie…

Si seulement je pouvais entendre de quelqu’un une voix humaine
Qui confesse, non pas un pécher, mais une infamie ;
Qui raconte, non pas une violence, mais une lâcheté !
Non, ils sont tous l’Idéal, si je les écoute, et qu’ils me parlent.
Qui y a-t-il, dans ce vaste monde, pour me confesser qu’une fois, il a été vil ?
Ô princes, mes frères,

Allez, j’en ai assez des demi-dieux !
Où y a-t-il des hommes dans le monde ?

Ainsi, je suis le seul à être vil et dans l’erreur sur cette terre ?

Les femmes peuvent ne pas les avoir aimés,
Ils peuvent avoir été trahis – mais ridicules jamais !
Et moi, qui ai été ridicule sans avoir été trahi,
Comment pourrais-je parler avec mes supérieurs sans vaciller ?
Moi, qui suis vil, littéralement vil,
Vil au sens mesquin et ignoble de la vilénie.



(Fernando Pessoa)

Labels:

Saturday, May 11, 2019

Pessoa, O Dos Castelos (en Mensagem, 1914)

composição de ilustrações de Carlos Alberto Santos
(fonte de imagem: Inverso)
no copyright infringement intended

A Europa jaz, posta nos cotovellos:
De Oriente a Occidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabellos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovello esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquelle diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se appoia o rosto.

Fita, com olhar sphyngico e fatal,
O Occidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.





Europa yace apostada sobre sus codos:
Yace de Oriente a Occidente, mirando,
Y la abrazan románticos cabellos
Recordando ojos griegos.

Retira el codo izquierdo;
El derecho está dispuesto en ángulo.
Aquel dice Italia donde se ha asentado;
Este dice Inglaterra donde, alejada,
sostiene la mano, en la que apoya su rostro.

Observa, con mirada fatal de esfinge,
a Occidente, futuro del pasado.

El rostro que observa es de Portugal.


(fonte de imagem: Ethics, Economics and Societyo)
no copyright infringement intended


Europe lies, reclining upon her elbows:
From East to West she stretches, staring,
And romantic tresses fall over
Greek eyes, reminding.

The left elbow is stepped back;
The other laid out at an angle.
The first says Italy where it leans;
This one England where, set afar,
The hand holds the resting face.

Enigmatic and fateful she stares
Out West, to the future of the past.
The staring face is Portugal.


The castles in the Portuguese coat-of-arms represent walled towns that were conquered from the Moors in medieval times. Thus, the field of the castles pertains to the materiality in the country. Appropriately this first poem in Mensagem starts by a brief description of the map of Europe and of the geographic position of Portugal in it. According to the mythic origin of the continent, Europe is a woman whose Greek eyes remind us of the racial and cultural origin of the Portuguese nation (which Pessoa believed to be rooted in pre-classical Greece).

But, as often happens in Pessoa's best work, a final twist makes us review the simplicity we had laid out in our minds. Europe is staring out west to the future of the past and... the staring face is Portugal! A double meaning is intended: on one side, this is a clear reference to the fact that Portugal has, in the past, sought its destiny in the sea and consequently spearheaded the European expansion overseas; but on the other side the mention of the future means that the saga is not over yet and that the future of Europe still awaits out west. According to Fernando Pessoa's belief, Portugal will, one day, again show the way and that profecy is the Message itself...





(Fernando Pessoa)

(Juan Carlos Villaviciencio)

Labels: ,

Tuesday, January 29, 2019

Opiario (Pessoa - como Álvaro de Campos - rendido em romeno por Dan Caragea - rendido em francês por Armand Guibert)

Caminhando...
(fonte: caminho para a libertade)
no copyright infringement intended

Pessoa a dédié Opiario à son amis Mario de Sá-Carneiro, son conseiller, et le témoin de sa jeunesse. Le poème a paru en 1915 dans Orpheu, la revue d’avant-garde qu’ils avaient créée ensemble. L’année suivante, Sá-Carneiro se tuera, à vingt-cinq ans, et ce deuil déchirera la vie et l’œuvre de Pessoa (source: Robert Bréchon, Opium à bord).


A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
Existir como eu existo.

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.
(in Poesias, 1942 Editora Ática, Lisboa)
(fonte: Beatriz Pereira)



On peut lire l’Opiario comme une confession de Pessoa. C’est son adieu à toute une période de sa vie... ce serait l’adieu à la Belle Epoque, avant le passage aux « années folles » d’après-guerre (source: Robert Bréchon, Opium à bord).


Moartea e-strada ce-a cotit,
Să mori e să nu te mai vadă.
Ascult, aud al tău pășit
Există cum exist, fără tăgadă.

Pământul e din cer făcut.
Minciuna n-are cuib acum.
Nimeni nicicând nu s-a pierdut.
Totul e adevăr și drum.



recitado por Natália Luiza
(video por cinepovero2009)


La mort est le tournant de la route
Mourir, c'est seulement ne pas être
Vu. Si j'écoute, j'entends tes pas
Exister tout comme moi j'existe.

La terre est faite de ciel.
Le mensonge n'a pas de nid
Jamais personne ne s'est perdu
Tout est vérité et chemin.




(Fernando Pessoa)

(Dan Caragea)

Labels: ,

Tuesday, December 26, 2017

Fernando Pessoa, Natal

(fonte: Descontexto)
no copyright infringement intended

Nasce um Deus. Outros morrem. A verdade 
Nem veio nem se foi: o Erro mudou. 
Temos agora uma outra Eternidade, 
E era sempre melhor o que passou. 

Cega, a Ciência a inútil gleba lavra. 
Louca, a Fé vive o sonho do seu culto. 
Um novo Deus é só uma palavra. 
Não procures nem creias: tudo é oculto.
(fonte: Citador)




Nace un Dios. Otros mueren. La verdad
ni vino ni se fue: el Error cambió.
Ahora tenemos otra Eternidad,
y siempre fue mejor lo que pasó.

Ciega, la Ciencia la inútil tierra labra.
Loca, la Fe vive el sueño de su culto.
Un nuevo Dios es sólo una palabra.
No indagues ni creas: todo está oculto.
traduzido em espanhol por Juan Carlos Villaviciencio
(fonte: Descontexto)





A God's born. Others die. Reality
Has neither come nor gone: a change of Error.
Now we have another Eternity,
And always the one passed away was better.

Blind, Science is working the useless ground.
Mad, Faith is living the dream of its cult.
A new God is a word - or the mere sound.
Don't seek and don't believe: all is occult.
traduzido em inglês por Jonathan Griffin
(fonte: Musessquare)


(Fernando Pessoa)

(Juan Carlos Villaviciencio)

Labels: ,

Tuesday, September 06, 2016

Há metafísica bastante em não pensar em nada (Pessoa - como Alberto Caeiro - rendido em romeno por Dan Caragea)

(source: Filipe's Glance)
no copyright infringement intended


Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do Mundo?
Sei lá o que penso do Mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que ideia tenho eu das coisas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das coisas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o Sol
E a pensar muitas coisas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o Sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do Sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do Sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

«Constituição íntima das coisas»...
«Sentido íntimo do Universo»...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em coisas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das coisas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das coisas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.

Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as coisas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.







E destulă metafizică în a nu te gândi la nimic.

Ce gândesc eu despre lume?
Știu și eu ce gândesc despre lume!…
Dacă m-aș îmbolnăvi, aș medita la asta.

Ce idee am eu despre lucruri?
Ce părere am eu despre cauze și efecte?
Ce am meditat eu despre Dumnezeu și despre suflet?
Și despre facerea lumii?
Nu știu. Pentru mine a mă gândi la asta înseamnă să închid ochii
Și să nu mă gândesc. Înseamnă să trag perdelele
De la fereastra mea (dar ea nu are perdele).

Misterul lucrurilor? Știu și eu ce este misterul!
Singurul mister este că există cineva care se gândește la mister.
Cine stă la soare și închide ochii
Începe să nu mai știe ce este soarele
Și să se gândească la o sumedenie de lucruri pline de căldură.
Însă deschide ochii, vede soarele
Și nu se mai poate gândi la nimic,
Pentru că lumina soarelui prețuiește mai mult decât gândurile
Tuturor filozofilor și tuturor poeților.
Lumina soarelui nu știe ce face
Și de aceea nu greșește, ci e firească și bună.

Metafizică? Ce metafizică au acei copaci?
De a fi verzi, cu coroana bogată și de a avea crengi,
De a da rod la ceasul cuvenit, ceea ce ne pune pe gânduri,
Pe noi, cei care nu știm să-i băgăm în seamă.
Însă ce metafizică este mai bună decât a lor,
Aceea de a nu ști pentru ce trăiesc,
Nici de a nu ști că nu o știu?

„Alcătuirea lăuntrică a lucrurilor”…
„Înțelesul lăuntric al Universului”…
Toate astea sunt false, toate astea nu înseamnă nimic.
E de necrezut că se poate gândi la asemenea lucruri.
E ca și cum ne-am gândi la rațiuni și scopuri
Când zorii dimineții încep să strălucească și, pe lângă copaci,
Un aur vag, lucios, alungă întunericul.

A te gândi la sensul lăuntric al lucrurilor
Înseamnă să adaugi, așa cum te-ai gândi la sănătate
Sau ai duce un pahar apei de la izvor.

Singurul înțeles lăuntric al lucrurilor
Este că ele nu au niciun înțeles lăuntric.

Nu cred în Dumnezeu pentru că nu l-am văzut niciodată.
Dacă el ar vrea ca eu să cred în el,
Fără îndoială că ar veni să vorbească cu mine
Și ar intra pe ușă înăuntru
Spunându-mi: Iată-mă!

(Astea sunt poate ridicole pentru urechea
Celui care, neștiind ce înseamnă să privești lucrurile,
Nu-l înțelege pe cel care vorbește despre ele
Cu felul de a vorbi pe care doar faptul că le observi te învață.)

Dar dacă Dumnezeu este florile și copacii
Și munții și soarele și luna,
Atunci cred în el.
Atunci cred în el în fiecare clipă,
Iar viața mea e toată numai o rugăciune și o liturghie
Și o împărtășanie cu ochii și prin urechi.
Dar dacă Dumnezeu este florile și copacii
Și munții și soarele și luna,
De ce să-l numesc Dumnezeu?
Îl numesc flori și copaci și munți și soare și lună;
Pentru că, dacă el s-a întrupat, ca eu să îl văd,
În soare și lună, în flori și copaci și munți
și lună și soare și flori,
E pentru că el vrea ca eu să îl cunosc
Ca munți și copaci și flori și lună și soare.

Și de aceea mă supun lui
(Ce știu eu mai mult despre Dumnezeu decât Dumnezeu despre sine însuși),
Mă supun lui trăind spontan,
Precum cel care deschide ochii și vede,
Și îl numesc lună și soare și flori și copaci și munți
Și îl iubesc fără să mă gândesc la el
Și îl gândesc văzând și ascultând
Și mă însoțesc cu el în fiecare clipă.



(Fernando Pessoa)

(Dan Caragea)

Labels: ,

Sunday, September 04, 2016

Vi Jesus Cristo Descer à Terra (Pessoa - como Alberto Caeiro - rendido em romeno por Dan Caragea)

(source: Ainda Conto)
no copyright infringement intended


Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha
fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas pelas estradas
Que vão em ranchos pela estradas
com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou —
"Se é que ele as criou, do que duvido" —
"Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansados de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
e eu levo-o ao colo para casa.

.........................................................

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta
sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales,
E a fazer doer nos olhos os muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.


.........................................................


Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

.........................................................


Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?




(video by kuemp)


În după-amiaza unui sfârșit de primăvară
Am avut un vis ca o fotografie.
L-am văzut pe Isus Cristos coborând pe pământ.
A venit pe coasta unui deal
Preschimbat din nou în copil,
Alergând și rostogolindu-se prin iarbă
Smulgând flori ca apoi să le arunce
Și râzând de se putea auzi până hăt departe.

Fugise din cer.
Prea era de-al nostru ca să se prefacă
Că era a doua persoană a Treimii.
……………………………………………………………………….
Într-o zi, pe când Dumnezeu dormea,
Iar Sfântul Duh rătăcea în zbor,
El s-a dus la cutia miracolelor și a furat trei.
Cu cel dintâi a făcut ca nimeni să nu afle că el fugise.
Cu al doilea s-a creat pe sine de-a pururi om și copil.
Cu al treilea a creat un Cristos înveșnicit pe cruce
Și l-a lăsat pironit pe crucea din cer
Care servește drept model pentru celelalte.
Apoi a fugit la soare
Și a coborât pe prima rază pe care a prins-o.
Astăzi trăiește în satul meu cu mine.
E un copil cu un râs minunat și natural.
Se șterge la nas cu mâneca dreaptă,
Se zbenguie prin băltoace,
Culege flori, i-e drag de ele și le uită.
Dă cu pietre în măgari
Fură poame de prin livezi
Și fuge plângând și țipând de câini.
Și, pentru că știe că lor nu le place,
Și pentru că toată lumea face haz,
Fugărește fetișcanele
Care se țin unele după altele pe drum
Cu urcioarele pe cap
Și le ridică fustele.

Pe mine m-a învățat totul.
M-a învățat cum să privesc lucrurile.
Îmi arată toate lucrurile care sunt într-o floare.
Îmi arată cum pietrele sunt frumoase
Când le ținem în palmă
Și le privim cu răbdare.
……………………………………………………………………….
Ne simțim atât de bine unul cu celălalt
În orice împrejurare
Că nici măcar nu ne mai gândim unul la celălalt,
Ci trăim împreună, în doi,
Printr-o înțelegere intimă
Precum mâna dreaptă și cea stângă.

Pe înserate azvârlim pietricele
De pe treapta de la ușa casei,
Serioși, așa cum se cuvine unui zeu și unui poet,
Ca și cum fiecare pietricică
Ar fi întregul univers
Și ar fi o mare primejdie pentru ea
Să o lăsăm să cadă pe pământ.

Apoi eu îi povestesc despre lucrurile care sunt numai ale oamenilor,
Iar el zâmbește, pentru că totul pare de necrezut.
Râde de regi și de cei care nu sunt regi,
Se întristează când aude vorbindu-se de războaie,
Și de negoțuri și de vapoarele
Din care rămâne doar fumul în largul mărilor.
……………………………………………………………………….
Apoi el adoarme, iar eu îl culc.
Îl duc în brațe până în casă
Și îl culc, dezbrăcându-l ușurel
Ca și cum aș urma un ritual neprihănit
Și matern până ce el rămâne gol.

El doarme înlăuntrul sufletului meu.
Uneori se trezește noaptea
Și se joacă cu visele mele.
Pe unele le dă peste cap,
Le așează pe unele peste altele
Și bate singur din palme
Zâmbind somnului meu.
……………………………………………………………………….
Când am să mor, fiul meu,
Să fiu eu copilul, cel mai mic.
Ia-mă în brațele tale
Și du-mă înăuntru, în casă ta
Dezbracă-mi ființa ostenită și omenească
Și culcă-mă în patul tău.
Spune-mi povești, dacă mă trezesc,
Ca să adorm din nou.
Dă-mi visele tale ca să mă joc
Până ce se ivesc zorii oricărei zilei
Știi tu care zi anume.
(rendido em rumeno por Dan Caragea)



(Fernando Pessoa)

(Dan Caragea)

Labels: ,

Friday, September 02, 2016

Sou um guardador de rebanho (Pessoa - como Alberto Caeiro - rendido em romeno por Dan Caragea - em seguida, em francês, italiano, alemão)

(source: Reflexões e Angústias)
no copyright infringement intended


Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.





Sunt un păzitor de turme.
Turmele sunt gândurile mele,
Iar gândurile mele sunt toate senzațiile.
Gândesc cu ochii și cu urechile
Cu mâinile și cu picioarele
Cu nasul și cu gura.
A gândi o floare înseamnă să o vezi și să o miroși,
A mânca un fruct înseamnă să-i guști înțelesul.

De aceea, când într-o zi de arșiță
Sunt trist că mă pot bucura de ea
Și mă tolănesc pe iarbă
Și-mi închid ochii fierbinți,
Îmi simt tot trupul culcat pe realitate,
Știu adevărul și sunt fericit.



(source: Psicologia de Rebanhos)
no copyright infringement intended

Je suis un gardeur de troupeaux.
Le troupeau, ce sont mes pensées
Et mes pensées sont toutes sensations.
Je pense avec mes yeux et avec mes oreilles
Et avec les mains et les pieds
Et avec le nez et la bouche.

Penser une fleur, c’est la voir et la sentir
Et manger un fruit, c’est en savoir le sens.

C’est pourquoi les jours de grande chaleur,
De les goûter autant, je me sens triste
Et je m’étends de tout mon long dans l’herbe
Et je ferme les yeux qui me brûlent,
Sentant tout mon corps qui s’étend sur la réalité.
Alors je sais la vérité et je suis heureux.
(source: Lyrics Translate)



(video by xecopsy)



Sono un guardiano di greggi.
Il gregge è i miei pensieri
e i miei pensieri sono tutti sensazioni.
Penso con gli occhi e con gli orecchi.
e con le mani e con i piedi
e con il naso e la bocca.

Pensare un fiore è vederlo e odorarlo
e mangiare un frutto è sentirne il sapore.

Per questo quando in un giorno di calore
mi sento triste di goderlo tanto
e mi stendo completamente sull'erba,
e chiudo gli occhi caldi,
sento tutto il mio corpo disteso sulla realtà,
so la verità e sono felice.
(source: Lyrics Translate)




Ich bin ein Schafhalter.
Meine Gedanken sind meine Herde
Und alle meine Gedanken sind Empfindungen.
Ich denke mit Augen und Ohren
Und mit Händen und Füssen
Und mit Nase und Mund.

Eine Blume zu denken, ist sie zu sehen und zu riechen
Und eine Frucht zu essen, ist ihre Bedeutung kennen.

Wenn ich an einem heissen Tag
Mich traurig fühle, weil ich ihn so sehr geniesse,
Und mich ins hohe Gras lege
Und die Augen schliesse,
fühle ich meinen Körper in der Wirklichkeit liegen,
erkenne die Wahrheit und bin glücklich.
(source: Lyrics Translate)




(Fernando Pessoa)

(Dan Caragea)

Labels: ,