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Tuesday, January 29, 2019

Opiario (Pessoa - como Álvaro de Campos - rendido em romeno por Dan Caragea - rendido em francês por Armand Guibert)

Caminhando...
(fonte: caminho para a libertade)
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Pessoa a dédié Opiario à son amis Mario de Sá-Carneiro, son conseiller, et le témoin de sa jeunesse. Le poème a paru en 1915 dans Orpheu, la revue d’avant-garde qu’ils avaient créée ensemble. L’année suivante, Sá-Carneiro se tuera, à vingt-cinq ans, et ce deuil déchirera la vie et l’œuvre de Pessoa (source: Robert Bréchon, Opium à bord).


A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
Existir como eu existo.

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.
(in Poesias, 1942 Editora Ática, Lisboa)
(fonte: Beatriz Pereira)



On peut lire l’Opiario comme une confession de Pessoa. C’est son adieu à toute une période de sa vie... ce serait l’adieu à la Belle Epoque, avant le passage aux « années folles » d’après-guerre (source: Robert Bréchon, Opium à bord).


Moartea e-strada ce-a cotit,
Să mori e să nu te mai vadă.
Ascult, aud al tău pășit
Există cum exist, fără tăgadă.

Pământul e din cer făcut.
Minciuna n-are cuib acum.
Nimeni nicicând nu s-a pierdut.
Totul e adevăr și drum.



recitado por Natália Luiza
(video por cinepovero2009)


La mort est le tournant de la route
Mourir, c'est seulement ne pas être
Vu. Si j'écoute, j'entends tes pas
Exister tout comme moi j'existe.

La terre est faite de ciel.
Le mensonge n'a pas de nid
Jamais personne ne s'est perdu
Tout est vérité et chemin.




(Fernando Pessoa)

(Dan Caragea)

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Monday, June 12, 2017

Camões, Amor é um Fogo que Arde sem se Ver (rendido em romeno por Dan Caragea e em em inglês por Richard Zenith)

Camões e as Ninfas (Camões e as Tágides)
óleo sobre tela de Columbano Bordalo Pinheiro, 1894
(fonte de imagem: infopédia, wikimedia)
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Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se e contente;
É um cuidar que ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

a-c-e-h b-d-f-g-i-k-m j-l-n

É um contentamento descontente ... great line!






Amoru-i foc ce arde nevăzut;
E rană ce o ai fără simţire;
E-o mulţumire în nemulţumire;
E o smintire ce nu te-a durut;

E a nu vrea ce tare mult ai vrut;
E a fi singur tu prin omenire,
E-a nu te mulţumi de mulţumire;
E-a socoti câştig când ai pierdut,

E-a sta închis din proprie voinţă;
E a sluji pe-nvins, învingător;
E-a arăta la ucigaş credinţă;

Dar cum pricinuieşte-acest favor
Prietenie în a noastră fiinţă,
Dacă-i potrivnic sieşi el, Amor ?
rendido em romeno por Dan Caragea
(fonte: FB)

a-d-e-h b-c-f-g i-k-m j-l-n






Love is a fire that burns unseen, 
a wound that aches yet isn’t felt,
an always discontent contentment,
a pain that rages without hurting,

a longing for nothing but to long,
a loneliness in the midst of people, 
a never feeling pleased when pleased, 
a passion that gains when lost in thought.

It’s being enslaved of your own free will;
it’s counting your defeat a victory;
it’s staying loyal to your killer. 

But if it’s so self-contradictory,
how can Love, when Love chooses,
bring human hearts into sympathy?
© Translation: 2006, Richard Zenith









(Camões)

(Dan Caragea)

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Sunday, April 02, 2017

Mário de Sá-Carneiro, Álcool (rendido em romeno por Dan Caragea)

pesadelo
(fonte de imagen: Estúdio Raposa)
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Guilhotinas, pelouros e castelos 
Resvalam longamente em procissão; 
Volteiam-me crepúsculos amarelos, 
Mordidos, doentios de roxidão. 

Batem asas d'auréola aos meus ouvidos, 
Grifam-me sons de côr e de perfumes, 
Ferem-me os olhos turbilhões de gumes, 
Desce-me a alma, sangram-me os sentidos. 

Respiro-me no ar que ao longe vem, 
Da luz que me ilumina participo; 
Quero reunir-me, e todo me dissipo - 
Luto, estrebucho... Em vão! Silvo pra além... 

Corro em volta de mim sem me encontrar... 
Tudo oscila e se abate como espuma... 
Um disco de ouro surge a voltear... 
Fecho os meus olhos com pavor da bruma... 

Que droga foi a que me inoculei? 
Ópio d'inferno em vez de paraíso?... 
Que sortilégio a mim próprio lancei? 
Como é que em dor genial eu me eterizo? 

Nem ópio nem morfina. O que me ardeu, 
Foi alcool mais raro e penetrante: 
É só de mim que eu ando delirante - 
Manhã tão forte que me anoiteceu.




Música e Interpretação por Aires Ferreira
(video por Serpente)


Castele și ghiulele, ghilotine,
Prelung alunecă-n cortegiu toate;
Mă-nconjură amurguri opaline,
De mov bolnăvicioase, sfâșiate.

Aripi de-aureolă auzu-mi bat,
Mă răzvrătesc parfumuri și culori
Tăișuri, ochi rănindu-mi, în vâltori,
Îmi sângerează simțuri, mă străbat.

Eu mă respir în aer de departe,
Luminii ce mă scaldă mă-ntregesc;
Unit mă vreau și întreg mă risipesc –
Mă zvârcol, lupt…În van! Chemări deșarte…

Alerg în juru-mi fără a mă-ntâlni…
Declin e-n tot, ca spuma-n taină piere…
Un disc de aur începe a se-nvârti…
Pe ochi aștern a-ntunecimii fiere….

Ce drog ciudat în vine mi-am prelins?
Satanic opiu-n loc de rai ceresc?…
În ce vrăjitorie m-am cuprins?
Cum oare în durerea-mi veșnicesc?

Nici opiu, nici morfina. M-a-nflăcărat
Pătrunzătorul alcool, elixir,
Din vina mea cutreier în delir –
Prea tarea dimineață m-a-nnoptat.



(Mário de Sá-Carneiro)

(Dan Caragea)

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Sunday, February 19, 2017

Mário de Sá-Carneiro, Distante Melodia (rendido em romeno por Dan Caragea)

(image source: I am the shadow)
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Num sonho d'Iris, morto a ouro e brasa, 
Vem-me lembranças doutro Tempo azul 
Que me oscilava entre véus de tule - 
Um tempo esguio e leve, um tempo-Asa. 

Então os meus sentidos eram côres, 
Nasciam num jardim as minhas ansias, 
Havia na minh'alma Outras distancias - 
Distancias que o segui-las era flôres... 

Caía Ouro se pensava Estrelas, 
O luar batia sobre o meu alhear-me... 
Noites-lagôas, como éreis belas 
Sob terraços-liz de recordar-me!... 

Idade acorde d'Inter sonho e Lua, 
Onde as horas corriam sempre jade, 
Onde a neblina era uma saudade, 
E a luz - anseios de Princesa nua... 

Balaústres de som, arcos de Amar, 
Pontes de brilho, ogivas de perfume... 
Dominio inexprimivel d'Ópio e lume 
Que nunca mais, em côr, hei de habitar... 

Tapêtes doutras Persias mais Oriente... 
Cortinados de Chinas mais marfim... 
Aureos Templos de ritos de setim... 
Fontes correndo sombra, mansamente... 

Zimbórios-panthéons de nostalgias... 
Catedrais de ser-Eu por sobre o mar... 
Escadas de honra, escadas só, ao ar... 
Novas Byzancios-alma, outras Turquias... 

Lembranças fluidas... cinza de brocado... 
Irrealidade anil que em mim ondeia... 
- Ao meu redór eu sou Rei exilado, 
Vagabundo dum sonho de sereia...




În vis de Iris mort, de aur clipă,
Trec amintiri din Timp de-azur, pendul,
Ce mă purta prin voaluri mari de tul –
Un timp ușor și zvelt, un timp-Aripă.

Și-atunci simțirile-mi erau culori,
Într-o grădină patimi se nășteau,
Alte Distanțe-n suflet existau –
Distanțe ce urmate erau flori…

Ploua cu Aur când gândeam la Stele,
Luna lucea pe-nstrăinata-mi fire…
− O, Nopți-lagune, cât de frumoase ele
Pe sub terase-crin de amintire…

Vârstă-acord de Intervis și Lună pală
Când orele curgeau mereu în jad,
Când ceața devenea un dor nomad,
Lumina – doruri de Prințesă goală…

De son baluștri, arcade de-a Iubi,
Punți de lucire, ogive de parfum…
Tărâm nespus de Opiu, foc și fum,
Eu în culori nicicând n-oi locui…

Covoare-a altor Persii, Orient…
Și draperii din Chine, fildeș fin,
Temple-aurii cu rituri de satin…
Izvor de unde umbra curge lent…

Și domuri-panteon de nostalgii…
Și catedrale de-A-Fi-Eu pe mare…
Și trepte în văzduh, trepte de-onoare…
Și noi Bizanțuri-Suflet, noi Turcii…

Curg amintiri… cenușă de brocart…
Mov ireal palpită-n mine-închis…
− În jurul meu sunt Rege exilat,
Un vagabond din al sirenei vis…








(Mário de Sá-Carneiro)

(Dan Caragea)

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Friday, February 17, 2017

Mário de Sá-Carneiro, Estátua Falsa (rendido em romeno por Dan Caragea)

As Coisas da Vida e A Vida das Coisas
(fonte: Psicologia e Vida Livres)
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Só de ouro falso os meus olhos se douram; 
Sou esfinge sem mistério no poente. 
A tristeza das coisas que não foram 
Na minha'alma desceu veladamente. 

Na minha dor quebram-se espadas de ânsia, 
Gomos de luz em treva se misturam. 
As sombras que eu dimano não perduram, 
Como Ontem, para mim, Hoje é distancia. 

Já não estremeço em face do segredo; 
Nada me aloira já, nada me aterra: 
A vida corre sobre mim em guerra, 
E nem sequer um arrepio de mêdo! 

Sou estrêla ébria que perdeu os céus, 
Sereia louca que deixou o mar; 
Sou templo prestes a ruir sem deus, 
Estátua falsa ainda erguida ao ar...



Cu aur fals privirea-am poleit
Sunt sfinx fără mister în asfințire.
Tristețea a tot ce nu s-a împlinit
Pe ascuns, ea mi s-a pogorât în fire.

Mă sfârtecă săgeți chinuitoare,
Lumini clipesc în beznă șovăielnic.
Fantasme ce ivesc apun vremelnic,
Ca Ieri, și Azi în mine-i depărtare.

De mult în fața tainei nu mai freamăt;
Nu mă-nspăimânt, fiorul nu m-aține.
În luptă viața curge peste mine,
Și nici măcar un tresărit de teamăt!

Sunt steaua ce pierdu-a cerul, beată,
Sirena năucită, fără mare;
Sunt templu fără zeu, în ruinare,
Statuie falsă-n aer înălțată…




(video por Arantza)




(Mário de Sá-Carneiro)

(Dan Caragea)

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Friday, January 27, 2017

Mário de Sá-Carneiro, 7 (rendido em romeno por Dan Caragea)

Bilhete-postal, 1915 jun. 7, Lisboa
a Maria Cardoso de Sá Carneiro, Lisboa
(fonte de imagem: Biblioteca Nacional de Portugal)
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Eu não sou eu nem sou o outro, 
Sou qualquer coisa de intermédio: 
Pilar da ponte de tédio 
Que vai de mim para o Outro.


Eu nu sunt eu, nu sunt nici altul,
Sunt doar ceva ce între noi e-nscris:
Picior al podului de plictis
Ce trece dinspre mine-n Altul.








(Mário de Sá-Carneiro)

(Dan Caragea)

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Friday, January 13, 2017

Mário de Sá-Carneiro, Taciturno (rendido em romeno por Dan Caragea)

Mário de Sá-Carneiro
André Carrilho, Illustration for the book "Lisbon Poets"
published by Lisbon Poets and Co, 2015
(source: flickr)
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Há Ouro marchetado em mim, a pedras raras, 
Ouro sinistro em sons de bronzes medievais - 
Joia profunda a minha Alma a luzes caras, 
Cibório triangular de ritos infernais. 

No meu mundo interior cerraram-se armaduras, 
Capacetes de ferro esmagaram Princesas. 
Toda uma estirpe rial de herois d'Outras bravuras 
Em mim se despojou dos seus brazões e presas. 

Heraldicas-luar sobre ímpetos de rubro, 
Humilhações a liz, desforços de brocado; 
Bazilicas de tédio, arnezes de crispado, 
Insignias de Ilusão, troféus de jaspe e Outubro... 

A ponte levadiça e baça de Eu-ter-sido 
Enferrujou - embalde a tentarão descer... 
Sobre fossos de Vago, ameias de inda-querer - 
Manhãs de armas ainda em arraiais de olvido... 

Percorro-me em salões sem janelas nem portas, 
Longas salas de trôno a espessas densidades, 
Onde os pânos de Arrás são esgarçadas saudades, 
E os divans, em redór, ansias lassas, absortas... 

Ha rôxos fins de Imperio em meu renunciar - 
Caprichos de setim do meu desdem Astral... 
Ha exéquias de herois na minha dôr feudal - 
E os meus remorsos são terraços sobre o Mar...


În mine-i Aur încrustat cu pietre rare,
Sinistru-n sunete de bronz medievale –
Sufletu-mi giuvaer cu raze sclipitoare,
Potir triunghiular de rituri infernale.

Iar în lăuntrul meu s-au ferecat armuri,
Vizierele de fier strivit-au dulci Prințese.
Regala stirpe de eroi de vechi bravuri
În mine și-a lăsat blazoane, prăzi alese.

Crai-nou heraldic peste-avânturi stacojii,
Și umiliri de crin, brocart răzbunător;
Bazilici de plictis, crispări de-armurării,
Trofee mari de jasp, însemn amăgitor…

Podul nedeslușit al lui Am-fost-cândva
A ruginit – și-acum nu pot să-l mai coboare…
Șanțuri adânci în Vag, crenel ce ar mai vrea
Războinici zori de zi, prin tabere-n uitare…

Prin lungi saloane ferecate mă străbat,
Uriașe săli de tron cu densități sporite;
Tapiserii de-Arras sunt dorul destrămat,
Divanurile,-n jur, neliniști obosite…

Imperiu-apune mov la simpla-mi renunțare,
Capricii de satin dintr-un dispreț astral…
Prohoduri de eroi în doru-mi feudal
Cu remușcări ce sunt terase înspre mare…



(Mário de Sá-Carneiro)

(Dan Caragea)

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Friday, September 16, 2016

Florbela Espanca, Meu Amor, meu Amado, vê... repara (rendido em romeno por Dan Caragea)

(fuente: blog de Reflita Bem)
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Meu Amor, meu Amado, vê... repara:
Poisa os teus lindos olhos de oiro em mim,
— Dos meus beijos de amor Deus fez-me avara
Para nunca os contares até ao fim.

Meus olhos têm tons de pedra rara,
E só para teu bem que os tenho assim
— E as minhas mãos são fontes de água clara
A cantar sobre a sede dum jardim.

Sou triste como a folha ao abandono
Num parque solitário, pelo Outono,
Sobre um lago onde vogam nenúfares...

Deus fez-me atravessar o teu caminho...
— Que contas dás a Deus indo sozinho,
Passando junto a mim, sem me encontrares?




Privește-mă, iubitul meu drag, iară:
Cu ochii tăi de aur mă desfată,
De sărutări și dragoste-s avară
Și lasă numărarea ne’ncheiată.

Iar dacă ochii-mi sunt ca piatra rară,
Doar fericirea, al tău bine cată;
Mi-s mâinile izvor de apă clară
Cântând peste grădina însetată.

Sunt tristă ca o frunză părăsită
În parcul gol, de toamnă azvârlită
Pe lacul încărcat cu nuferi vii…

Domnul mi-a dat să te-ntâlnesc în cale…
Ce spui tu Domnului când treci agale
Pe lângă mine, fără-a mă-ntâlni?




(Florbela Espanca)

(Dan Caragea)

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Florbela Espanca, Perdi os Meus Fantásticos Castelos (rendido em romeno por Dan Caragea)

(source: Luar de noite)
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Perdi meus fantásticos castelos
Como névoa distante que se esfuma...
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:
Quebrei as minhas lanças uma a uma!

Perdi minhas galeras entre os gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma...
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? –
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!

Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu corcel,
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias...

Sobem-me aos lábios súplicas estranhas...
Sobre o meu coração pesam montanhas...
Olho assombrada as minhas mãos vazias...
(source: Luar de noite)




Pierdut-am eu fantastice palate
Ca pâcla-n zare, încet, s-au destrămat…
Să-nving, să lupt, voindu-le apărate,
Cu lănci ce, rând pe rând, s-au sfărâmat!

Pierdut-am eu galerele-nghețate
Ce-n marea ceții reci s-au scufundat…
– Atâtea piedici! Cum să le vezi pe toate? –
M-am aruncat în val; nu le-am salvat!

Pierdut-am cupa și al meu inel,
Pierdut-am calul, zalele de-oțel
Și coiful meu bătut cu pietre mii…

Îmi vin pe buze rugăminți străine…
Mi-e inima strivită sub coline…
Privesc uimită mâinile-mi pustii...



(Florbela Espanca)

(Dan Caragea)

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Thursday, September 15, 2016

Mário de Sá-Carneiro, Vislumbre (rendido em romeno por Dan Caragea)

(fuente: Poesia dos Dias Úteis)
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A horas flébeis, outonais‒
Por magoados fins de dia ‒
A minha Alma é água fria
Em ânforas d’Ouro… entre cristais…




În ceasuri molcome, autumnale ‒
În chinuit amurg ce se petrece ‒
Sufletul meu e însăși apa rece
În amfore de aur… între cristale…



(Mário de Sá-Carneiro)

(Dan Caragea)

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Monday, September 12, 2016

Florbela Espanca, Fanatismo (rendido em romeno por Dan Caragea)

(source: slideshare)
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Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver.
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!…

Tudo no mundo é frágil, tudo passa…
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!





Mi-e inima, văzându-te, sfârșită.
Orbiți mi-s ochii că te pot privi!
Nu ești doar rațiunea mea de-a fi,
Pentru că ești chiar viața mea trăită!

Nu văd nimic, astfel înnebunită…
Și trec prin lume ca să pot citi,
Iubite, -n cartea ființei tale vii
Povestea de atâtea ori citită!

Fragil e totu-n lume, trecător…
Când îmi spun asta, al harului izvor
Prin gura lui divină mi-a grăit!

Își spun, privind spre tine-ngenuncheată:
Ah! Pot să piară lumi și astre-odată,
Căci ești ca Domnul: început, sfârșit!



(Florbela Espanca)

(Dan Caragea)

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Tuesday, September 06, 2016

Há metafísica bastante em não pensar em nada (Pessoa - como Alberto Caeiro - rendido em romeno por Dan Caragea)

(source: Filipe's Glance)
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Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do Mundo?
Sei lá o que penso do Mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que ideia tenho eu das coisas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das coisas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o Sol
E a pensar muitas coisas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o Sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do Sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do Sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

«Constituição íntima das coisas»...
«Sentido íntimo do Universo»...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em coisas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das coisas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das coisas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.

Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as coisas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.







E destulă metafizică în a nu te gândi la nimic.

Ce gândesc eu despre lume?
Știu și eu ce gândesc despre lume!…
Dacă m-aș îmbolnăvi, aș medita la asta.

Ce idee am eu despre lucruri?
Ce părere am eu despre cauze și efecte?
Ce am meditat eu despre Dumnezeu și despre suflet?
Și despre facerea lumii?
Nu știu. Pentru mine a mă gândi la asta înseamnă să închid ochii
Și să nu mă gândesc. Înseamnă să trag perdelele
De la fereastra mea (dar ea nu are perdele).

Misterul lucrurilor? Știu și eu ce este misterul!
Singurul mister este că există cineva care se gândește la mister.
Cine stă la soare și închide ochii
Începe să nu mai știe ce este soarele
Și să se gândească la o sumedenie de lucruri pline de căldură.
Însă deschide ochii, vede soarele
Și nu se mai poate gândi la nimic,
Pentru că lumina soarelui prețuiește mai mult decât gândurile
Tuturor filozofilor și tuturor poeților.
Lumina soarelui nu știe ce face
Și de aceea nu greșește, ci e firească și bună.

Metafizică? Ce metafizică au acei copaci?
De a fi verzi, cu coroana bogată și de a avea crengi,
De a da rod la ceasul cuvenit, ceea ce ne pune pe gânduri,
Pe noi, cei care nu știm să-i băgăm în seamă.
Însă ce metafizică este mai bună decât a lor,
Aceea de a nu ști pentru ce trăiesc,
Nici de a nu ști că nu o știu?

„Alcătuirea lăuntrică a lucrurilor”…
„Înțelesul lăuntric al Universului”…
Toate astea sunt false, toate astea nu înseamnă nimic.
E de necrezut că se poate gândi la asemenea lucruri.
E ca și cum ne-am gândi la rațiuni și scopuri
Când zorii dimineții încep să strălucească și, pe lângă copaci,
Un aur vag, lucios, alungă întunericul.

A te gândi la sensul lăuntric al lucrurilor
Înseamnă să adaugi, așa cum te-ai gândi la sănătate
Sau ai duce un pahar apei de la izvor.

Singurul înțeles lăuntric al lucrurilor
Este că ele nu au niciun înțeles lăuntric.

Nu cred în Dumnezeu pentru că nu l-am văzut niciodată.
Dacă el ar vrea ca eu să cred în el,
Fără îndoială că ar veni să vorbească cu mine
Și ar intra pe ușă înăuntru
Spunându-mi: Iată-mă!

(Astea sunt poate ridicole pentru urechea
Celui care, neștiind ce înseamnă să privești lucrurile,
Nu-l înțelege pe cel care vorbește despre ele
Cu felul de a vorbi pe care doar faptul că le observi te învață.)

Dar dacă Dumnezeu este florile și copacii
Și munții și soarele și luna,
Atunci cred în el.
Atunci cred în el în fiecare clipă,
Iar viața mea e toată numai o rugăciune și o liturghie
Și o împărtășanie cu ochii și prin urechi.
Dar dacă Dumnezeu este florile și copacii
Și munții și soarele și luna,
De ce să-l numesc Dumnezeu?
Îl numesc flori și copaci și munți și soare și lună;
Pentru că, dacă el s-a întrupat, ca eu să îl văd,
În soare și lună, în flori și copaci și munți
și lună și soare și flori,
E pentru că el vrea ca eu să îl cunosc
Ca munți și copaci și flori și lună și soare.

Și de aceea mă supun lui
(Ce știu eu mai mult despre Dumnezeu decât Dumnezeu despre sine însuși),
Mă supun lui trăind spontan,
Precum cel care deschide ochii și vede,
Și îl numesc lună și soare și flori și copaci și munți
Și îl iubesc fără să mă gândesc la el
Și îl gândesc văzând și ascultând
Și mă însoțesc cu el în fiecare clipă.



(Fernando Pessoa)

(Dan Caragea)

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Sunday, September 04, 2016

Vi Jesus Cristo Descer à Terra (Pessoa - como Alberto Caeiro - rendido em romeno por Dan Caragea)

(source: Ainda Conto)
no copyright infringement intended


Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha
fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas pelas estradas
Que vão em ranchos pela estradas
com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou —
"Se é que ele as criou, do que duvido" —
"Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansados de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
e eu levo-o ao colo para casa.

.........................................................

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta
sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales,
E a fazer doer nos olhos os muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.


.........................................................


Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

.........................................................


Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?




(video by kuemp)


În după-amiaza unui sfârșit de primăvară
Am avut un vis ca o fotografie.
L-am văzut pe Isus Cristos coborând pe pământ.
A venit pe coasta unui deal
Preschimbat din nou în copil,
Alergând și rostogolindu-se prin iarbă
Smulgând flori ca apoi să le arunce
Și râzând de se putea auzi până hăt departe.

Fugise din cer.
Prea era de-al nostru ca să se prefacă
Că era a doua persoană a Treimii.
……………………………………………………………………….
Într-o zi, pe când Dumnezeu dormea,
Iar Sfântul Duh rătăcea în zbor,
El s-a dus la cutia miracolelor și a furat trei.
Cu cel dintâi a făcut ca nimeni să nu afle că el fugise.
Cu al doilea s-a creat pe sine de-a pururi om și copil.
Cu al treilea a creat un Cristos înveșnicit pe cruce
Și l-a lăsat pironit pe crucea din cer
Care servește drept model pentru celelalte.
Apoi a fugit la soare
Și a coborât pe prima rază pe care a prins-o.
Astăzi trăiește în satul meu cu mine.
E un copil cu un râs minunat și natural.
Se șterge la nas cu mâneca dreaptă,
Se zbenguie prin băltoace,
Culege flori, i-e drag de ele și le uită.
Dă cu pietre în măgari
Fură poame de prin livezi
Și fuge plângând și țipând de câini.
Și, pentru că știe că lor nu le place,
Și pentru că toată lumea face haz,
Fugărește fetișcanele
Care se țin unele după altele pe drum
Cu urcioarele pe cap
Și le ridică fustele.

Pe mine m-a învățat totul.
M-a învățat cum să privesc lucrurile.
Îmi arată toate lucrurile care sunt într-o floare.
Îmi arată cum pietrele sunt frumoase
Când le ținem în palmă
Și le privim cu răbdare.
……………………………………………………………………….
Ne simțim atât de bine unul cu celălalt
În orice împrejurare
Că nici măcar nu ne mai gândim unul la celălalt,
Ci trăim împreună, în doi,
Printr-o înțelegere intimă
Precum mâna dreaptă și cea stângă.

Pe înserate azvârlim pietricele
De pe treapta de la ușa casei,
Serioși, așa cum se cuvine unui zeu și unui poet,
Ca și cum fiecare pietricică
Ar fi întregul univers
Și ar fi o mare primejdie pentru ea
Să o lăsăm să cadă pe pământ.

Apoi eu îi povestesc despre lucrurile care sunt numai ale oamenilor,
Iar el zâmbește, pentru că totul pare de necrezut.
Râde de regi și de cei care nu sunt regi,
Se întristează când aude vorbindu-se de războaie,
Și de negoțuri și de vapoarele
Din care rămâne doar fumul în largul mărilor.
……………………………………………………………………….
Apoi el adoarme, iar eu îl culc.
Îl duc în brațe până în casă
Și îl culc, dezbrăcându-l ușurel
Ca și cum aș urma un ritual neprihănit
Și matern până ce el rămâne gol.

El doarme înlăuntrul sufletului meu.
Uneori se trezește noaptea
Și se joacă cu visele mele.
Pe unele le dă peste cap,
Le așează pe unele peste altele
Și bate singur din palme
Zâmbind somnului meu.
……………………………………………………………………….
Când am să mor, fiul meu,
Să fiu eu copilul, cel mai mic.
Ia-mă în brațele tale
Și du-mă înăuntru, în casă ta
Dezbracă-mi ființa ostenită și omenească
Și culcă-mă în patul tău.
Spune-mi povești, dacă mă trezesc,
Ca să adorm din nou.
Dă-mi visele tale ca să mă joc
Până ce se ivesc zorii oricărei zilei
Știi tu care zi anume.
(rendido em rumeno por Dan Caragea)



(Fernando Pessoa)

(Dan Caragea)

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Friday, September 02, 2016

Sou um guardador de rebanho (Pessoa - como Alberto Caeiro - rendido em romeno por Dan Caragea - em seguida, em francês, italiano, alemão)

(source: Reflexões e Angústias)
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Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.





Sunt un păzitor de turme.
Turmele sunt gândurile mele,
Iar gândurile mele sunt toate senzațiile.
Gândesc cu ochii și cu urechile
Cu mâinile și cu picioarele
Cu nasul și cu gura.
A gândi o floare înseamnă să o vezi și să o miroși,
A mânca un fruct înseamnă să-i guști înțelesul.

De aceea, când într-o zi de arșiță
Sunt trist că mă pot bucura de ea
Și mă tolănesc pe iarbă
Și-mi închid ochii fierbinți,
Îmi simt tot trupul culcat pe realitate,
Știu adevărul și sunt fericit.



(source: Psicologia de Rebanhos)
no copyright infringement intended

Je suis un gardeur de troupeaux.
Le troupeau, ce sont mes pensées
Et mes pensées sont toutes sensations.
Je pense avec mes yeux et avec mes oreilles
Et avec les mains et les pieds
Et avec le nez et la bouche.

Penser une fleur, c’est la voir et la sentir
Et manger un fruit, c’est en savoir le sens.

C’est pourquoi les jours de grande chaleur,
De les goûter autant, je me sens triste
Et je m’étends de tout mon long dans l’herbe
Et je ferme les yeux qui me brûlent,
Sentant tout mon corps qui s’étend sur la réalité.
Alors je sais la vérité et je suis heureux.
(source: Lyrics Translate)



(video by xecopsy)



Sono un guardiano di greggi.
Il gregge è i miei pensieri
e i miei pensieri sono tutti sensazioni.
Penso con gli occhi e con gli orecchi.
e con le mani e con i piedi
e con il naso e la bocca.

Pensare un fiore è vederlo e odorarlo
e mangiare un frutto è sentirne il sapore.

Per questo quando in un giorno di calore
mi sento triste di goderlo tanto
e mi stendo completamente sull'erba,
e chiudo gli occhi caldi,
sento tutto il mio corpo disteso sulla realtà,
so la verità e sono felice.
(source: Lyrics Translate)




Ich bin ein Schafhalter.
Meine Gedanken sind meine Herde
Und alle meine Gedanken sind Empfindungen.
Ich denke mit Augen und Ohren
Und mit Händen und Füssen
Und mit Nase und Mund.

Eine Blume zu denken, ist sie zu sehen und zu riechen
Und eine Frucht zu essen, ist ihre Bedeutung kennen.

Wenn ich an einem heissen Tag
Mich traurig fühle, weil ich ihn so sehr geniesse,
Und mich ins hohe Gras lege
Und die Augen schliesse,
fühle ich meinen Körper in der Wirklichkeit liegen,
erkenne die Wahrheit und bin glücklich.
(source: Lyrics Translate)




(Fernando Pessoa)

(Dan Caragea)

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Tuesday, June 21, 2016

Gomez Leal (Pessoa - rendido em romeno por Dan Caragea)

António Duarte Gomes Leal
(source: wikimedia)
no copyright infringement intended


Sangra, sinistro, a alguns o astro baço.
Seus três anéis irreversíveis são
A desgraça, a tristeza, a solidão.
Oito luas fatais fitam no espaço.

Este, poeta, Apolo em seu regaço
A Saturno entregou. A plúmbea mão
Lhe ergueu ao alto o aflito coração.
E, erguido, o apertou, sangrando lasso.

Inúteis oito luas da loucura
Quando a cintura tríplice denota
Solidão e desgraça e amargura!

Mas da noite sem fim um rastro brota,
Vestígios de maligna formosura:
É a lua além de Deus, álgida e ignota.





Sângeră trist în unii astrul mat.
Inelele lui trei sunt pe vecie:
Singurătate, chin, melancolie.
Opt luni fatale spațiul îl străbat.

Poetul, de Apolo, fu purtat
În poală, lui Saturn. Iar mâna-i plumburie
Inima tristă-o ridică-n tărie
Și-o strânse până, moale, -a sângerat.

Zadarnice acum opt luni nebune
Când tripla lui centură răspândește:
Singurătate, chin și-amărăciune!

Din noaptea nesfârșită-o urmă crește,
Vestigii de malignă, grea minune:
O lună rece lângă Zeu albește.



(Gomez Leal)

(Fernando Pessoa)

(Dan Caragea)

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